quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Pedalar seguro: está difícil!

Meu dia de treino começou numa mountain bike. Contudo, não foi tão divertido como deveria ter sido. Não quero generalizar, mas uma boa parte dos motoristas estão nervosos, agitados, correndo muito e querem passar por cima dos ciclistas, mesmo com todas as campanhas sendo realizadas e com os casos de atropelamento cada vez mais sendo apresentados na mídia.

Eu, pra evitar aborrecimentos com motoristas tenho procurado pedalar a cerca de 1m do meio fio, na mão dos carros. Recentemente, também li o artigo "Por que o ciclista deve ocupar a faixa" (do Vá de Bike) e, dou razão ao seu autor. Além disso, sou totalmente contra a andar na contra-mão, mesmo num bom acostamento como é o caso da subida da marginal da via estrutural, do começo da Vicente Pires até a chegada no Pistão, em Taguatinga. Moro ali perto e costumo fazer essa subida quando estou treinando pedal, da forma como deve ser, sem problemas.

Mesmo assim, hoje eu tive três incidentes: um onde a rua 10 termina e se encontra com a rua 3, na primeira volta; outro na rua 3, no sentido de encontro com a marginal da via estrutural (em minha segunda volta) e, o último, na descida da rua 10, na altura da Vila São José, em minha terceira e última volta. Eu havia planejado quatro voltas na minha mountain bike, que totalizariam 42Km mas, parei nos 32Km mesmo e o resto fui fazer com minha bike de contra-relógio, estacionado no meu rolo de equilíbrio: seguramente mais tranquilo, porém muito menos prazeroso (óbvio) que pedalar com o "vento na cara".

No primeiro incidente, o motorista estava atrás de mim, eu estava parado, e ele quis arrancar com o carro. Nessa hora eu estava na pista aguardando a passagem dos carros para entrar na via. Eu acenei como quem diz: "vai passar por cima?" Ele fez um sinal de jóia, como quem pede desculpas, e ficou por isso mesmo.

No próximo caso o motorista me fechou, em sua ultrapassagem por mim, obrigando-me a sair para em direção ao meio fio. Nessa hora eu não aguentei, tinha que falar algo pro camarada. Alcançei-o, pareei a bike ao seu lado, que desceu o vidro para escutar-me. Disse a ele que nossos veículos tinham a mesma prioridade de uso da via e que, pela lei, 1,5m é a distância mínima que deve se manter de ciclistas como eu. Ele fez a cara do tipo "ok", não disse um "a", fechou o vidro e seguiu adiante. "FDP", pensei.

O último estresse foi semelhante ao anterior mas, dessa vez, foi uma dondoca (daquelas que devem comer ovo e arrotar camarão) que me fechou, quase me derrubando da bike. E essa foi a que me deixou mais nervoso pois a bruaca não teve nem coragem de me olhar quando eu passei ao lado da porta de seu carro para explicar-lhe como ela deve tratar pessoas que estão no trânsito, principalmente em situações de desvantagem como a minha. Com seu rosto arrogante e óculos de sol tampando quase toda a cara, virou-a pro lado e dobrou a direita na esquina da rua 7.

Tenho falado para as pessoas que eu fico muito preocupado com minha segurança ao pedalar. Está realmente difícil! A conclusão que tiro de tudo isso é que, para mim, meus próximos treinos deverão ser: 1) Em pelotão, nos encontros com minha equipe (Zero61) ou com a galera do lago sul; 2) Em ciclovias. As mais próximas de minha casa são a do Taguaparque e a do Park Way; 3) No autódromo; 4) No rolo de equilíbrio;

Sair o quanto antes de vias sem ciclovias deve ser minha prioridade já que a educação e o respeito a vida alheia ainda é uma grande barreira a ser vencida por boa parte dos motoristas. E, com tristeza e sem otimismo algum, creio que esta situação não vá mudar tão cedo. Há muitos imbecis com a mão num volante. Mesmo assim, eu preciso treinar para meu segundo Ironman. Então, que pedalar se torne cada vez mais seguro! :)