terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sobre a certificação JBCAA

A Red Hat anunciou hoje (primeiro dia do JBoss World) a certificação JBoss Certified Application Administrator (JBCAA). Ela poderá ser obtida globalmente, segundo o anúncio, a partir do dia 1 de outubro.

Sob o meu ponto de vista, se o conteúdo exigido na prova for o apresentando no treinamento JB336, a certificação passará a cobrar então, aspectos relativos a implantação de aplicações em produção que trabalham, por exemplo, com o jBPM, o JBoss Rules e o SOA-P. Além disto, deverá cobrir assuntos relacionados ao slimming do JBoss EAP, a identificação e o entendimento de potenciais problemas e as melhores práticas para a solução destes, a monitoração de problemas de performance através do JON, a determinação das necessidades apropriadas para alta disponibilidade, escalabilidade e tolerância a falhas, a implantação de aplicações em clusters e a configuração do mod_jk para o balanceamento de carga. Também deverá ser cobrado um entendimento sobre o uso de SOA e de produtos JBoss para este mundo: JBoss Enterprise Portal Platform (EPP), JBoss Service Oriented Architecture Platform (SOA-P) e JBoss Enterprise Service Bus (ESB).

O anúncio informa que é recomendável que a pessoa tenha feito o treinamento JB336 para se preparar para a prova. Para mim, não está claro ainda, se isto é mesmo apenas recomendável ou, se é obrigatório, como era antes. Quando obtive minhas certificações em JBoss, a política da Red Hat podava que elas pudessem ser obtidas por profissionais capazes de empenhar seu tempo num estudo próprio e que não tivessem grana para a participação num treinamento tão caro ($2.498 por pessoa). Pagar por um treinamento para obter o direito a testar seus conhecimentos sob determinados assuntos não é, na minha opinião, uma boa política. Mesmo acreditando que a maioria das certificações não comprovam grande experiência e que elas apenas indicam que a pessoa estudou previamente determinados assuntos, a obtenção de certificações como as da Sun e/ou IBM, por exemplo, demonstram o respeito destas empresas pela classe dos profissionais autodidatas e por aqueles que não desejam (ou possam) fazer os "treinamentos oficiais", por qualquer motivo que seja. Certificações como, por exemplo, as promovidas pelo LPI sempre foram, ao meu ver, muito mais democráticas do que as da Red Hat pois nunca exigiram que você fizesse um curso, neste ou naquele lugar, antes de testar seus conhecimentos.

Mesmo já possuindo duas certificações em JBoss (Certified JBoss Administrator e Certified JBoss Developer), eu pretendo fazer esta prova e gostaria, sinceramente, que esta nova certificação tivesse um enfoque mais prático, real, e que avaliasse muito melhor a experiência das pessoas no cotidiano da administração do JBoss AS e das aplicações implantadas nele. Caso contrário, ela será apenas mais uma a entrar para o ramo do "negócio das certificações" que funciona mais ou menos assim: a Red Hat, cujo negócio é vender subscrições de seus produtos, faz parcerias com empresas que ela certifica. Algumas destas empresas "certificadas" fazem lobby para que editais e licitações para serviços no governo começem a exigir que os serviços tenham que ser realizados apenas por "profissionais certificados". E, este tipo de negócio é simplesmente nocivo pois, muitas vezes, é tomado erroneamente pelo contratante, como um fator determinante para a escolha do prestador de serviço. Lembrando que profissionais certificados não são, necessariamente, os que detem maior experiência prática, este tipo de exigência em editais deveria ter seu peso mas não poderia, de forma alguma, ser conclusivo e, deveria ser apenas somado a vivência prática do profissional em situações reais. Felizmente, contratações de serviços em empresas não públicas avaliam muito bem esta última questão e vários órgãos do governo já estão atentos a este fato.

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